Tô fraco, Tô fraco! nasce do quintal, do chão batido, do riso que escapa e do canto que brota mesmo quando o corpo parece cansado. Nasce também da longa estrada percorrida pela Companhia Azul Celeste, que em seus 36 anos de trajetória vem cultivando um teatro atento à escuta, ao encontro e às muitas formas de imaginar o mundo.
Fundada a partir do desejo de fazer do teatro um espaço de criação contínua e partilhada, a Companhia construiu, ao longo de mais de três décadas, um repertório marcado pela pesquisa de linguagem, pelo diálogo com a música, pela relação direta com o público e por um profundo compromisso com a formação, a democratização cultural e a invenção poética. Cada espetáculo é, antes de tudo, um convite: para ver, ouvir, sentir e pensar juntos. Neste trabalho voltado às infâncias, a Companhia Azul Celeste retorna a temas que lhe são caros — identidade, diversidade, pertencimento e convivência — agora filtrados pelo olhar curioso e sensível do mundo da descoberta. Tô fraco, Tô fraco! se passa no galinheiro de uma fazenda, território simbólico onde o tempo corre de outro jeito e onde os galináceos personagens revelam, entre penas e cantorias, conflitos muito humanos: o medo de não dar conta, a dor do bullying, a força do coletivo e a potência de ser quem se é.
O espetáculo foi construído a muitas mãos. O texto é inédito, criado especialmente para esta montagem, e nasceu de inquietações do autor e da escuta do elenco, recuperando aproximações com o universo das crianças. As canções e a trilha sonora original surgiram como extensão da cena: músicas que não apenas acompanham, mas contam, comentam e ampliam a narrativa, dialogando com sonoridades brasileiras e com a musicalidade do cotidiano rural.
Entre ensaios, experimentações e descobertas, o processo de criação, inspirado pela obra do italiano Gianni Rodari, buscou preservar o frescor do brincar e a delicadeza de temas complexos, sem subestimar a inteligência das crianças. Assim, Tô fraco, Tô fraco! se afirma como um espetáculo que canta, ri e reflete — um gesto artístico que celebra a imaginação como caminho para um mundo mais justo, diverso e afetuoso.
Que este encontro seja leve, divertido e cheio de asas.